O Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia consolidou-se como o epicentro das atualizações científicas da área. Em sua edição mais recente, o foco recaiu sobre a medicina de precisão e a integração de novas classes farmacológicas que prometem alterar o paradigma de tratamento de doenças metabólicas crônicas.
Inovações em Farmacoterapia
Um dos temas centrais foi a evolução dos agonistas de receptores de incretinas. Foram discutidos dados de longo prazo de moléculas como a tirzepatida (estudos SURPASS e SURMOUNT) e as perspectivas para o retatrutide (estudo TRIUMPH), que atua em três receptores distintos (GLP-1, GIP e Glucagon). A discussão girou em torno de como esses fármacos estão aproximando os resultados clínicos da farmacologia aos da cirurgia bariátrica.
Tecnologia e Diabetes
A aplicação de sistemas de alça fechada (pâncreas artificial) e sensores de glicose de monitoramento contínuo (CGM) foi amplamente debatida. A ênfase foi no 'Tempo no Alvo' (Time in Range) como uma métrica superior à hemoglobina glicada isolada para a prevenção de complicações microvasculares.
Limitações e Efeitos Colaterais
Apesar do entusiasmo, a comunidade médica mantém cautela. O custo elevado dessas terapias ainda é uma barreira para o acesso universal. Sobre os novos fármacos injetáveis, os efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e constipação, são frequentes e exigem titulação cuidadosa da dose. Há também a necessidade de monitoramento de efeitos raros, como pancreatite e perda de massa magra excessiva em idosos.
Em suma, o congresso reafirmou que a endocrinologia vive uma era de transformações rápidas. A personalização do tratamento, baseada no perfil genético e fenotípico do paciente, é o caminho para terapias mais eficazes e com menos riscos a longo prazo.







