O advento dos agonistas do receptor de GLP-1 (como a semaglutida) e dos coagonistas (como a tirzepatida) revolucionou o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Estudos como o programa STEP (com semaglutida) e o SURMOUNT (com tirzepatida) demonstraram reduções de peso sem precedentes na farmacoterapia. No entanto, a questão sobre a interrupção do uso permanece central na prática clínica e na literatura acadêmica.
Dados do estudo STEP 1 extension indicaram que, após a suspensão do medicamento, a maioria dos participantes recuperou cerca de dois terços do peso perdido em um ano. Isso reforça a visão de organismos como a OMS e a ABESO de que a obesidade é uma doença crônica e recidivante. O GLP-1 atua em centros hipotalâmicos regulando a saciedade; ao retirar o estímulo, os mecanismos biológicos de defesa do peso corporal tendem a retornar aos níveis anteriores.
Efeitos Adversos e Limitações
O uso prolongado desses medicamentos exige acompanhamento médico rigoroso. Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, incluindo náuseas, vômitos, constipação e diarreia. Há também contraindicações importantes e riscos que demandam monitoramento, como:
- Risco de pancreatite aguda.
- Histórico familiar de carcinoma medular de tireoide (contraindicação absoluta).
- Possível perda de massa magra se não houver aporte proteico e treino de força adequados.
- Custo elevado e necessidade de aplicação injetável semanal na maioria dos casos.
Atualmente, a ciência sugere que, para muitos pacientes, a manutenção do peso exigirá alguma forma de suporte terapêutico a longo prazo, seja farmacológico ou através de mudanças intensas no estilo de vida. A decisão de interromper ou manter o fármaco deve ser individualizada, pesando benefícios metabólicos, tolerabilidade e sustentabilidade financeira, sempre sob supervisão de um endocrinologista.







