A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) é uma condição complexa, frequentemente associada à obesidade e ao diabetes. Recentemente, o estudo STEP-HFpEF investigou o impacto da semaglutida 2,4 mg (administrada semanalmente) em adultos com obesidade e ICFEP, mas sem diabetes, focando em desfechos relacionados à qualidade de vida e limitações físicas.
Resultados do Estudo STEP-HFpEF
Os dados publicados revelaram que os participantes que utilizaram a semaglutida apresentaram uma redução maior na pontuação do Questionário de Cardiomiopatia de Kansas City (KCCQ-OSS), que mede o estado de saúde clínico, em comparação ao grupo placebo. Além disso, houve uma melhora na distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos, sugerindo um ganho na capacidade funcional respiratória e muscular.
Mecanismos Propostos
Acredita-se que os benefícios não decorram apenas da perda de peso. A semaglutida pode atuar na redução da inflamação sistêmica e no acúmulo de gordura epicárdica, fatores que contribuem para a rigidez ventricular e a disfunção diastólica características da ICFEP. Organismos como a FDA e a Anvisa acompanham esses dados para atualizações em bulas sobre indicações cardiovasculares.
Efeitos Adversos e Contraindicações
Os efeitos colaterais mais frequentes são gastrointestinais, incluindo náuseas, vômitos e diarreia, geralmente de intensidade leve a moderada. No entanto, o uso é contraindicado para pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. A desidratação decorrente de vômitos persistentes pode agravar quadros de insuficiência renal pré-existente.
Em resumo, a semaglutida surge como uma ferramenta promissora no manejo da ICFEP associada à obesidade. Contudo, a prescrição deve ser criteriosa, integrando o tratamento cardiológico padrão e mudanças no estilo de vida sob supervisão médica.







